Você abriu o app do banco na quinta-feira de manhã, viu o saldo e pensou: “Quando vence o DAS de junho mesmo?” Essa dúvida — simples, prática, urgente — é o motivo de você estar aqui. Então vou direto ao ponto antes de qualquer explicação.
O DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) do MEI referente a junho de 2026 vence no dia 20 de julho de 2026. Você paga em julho o que competiu em junho. Essa inversão confunde muita gente — e já vi MEI pagar em duplicidade por não entender esse calendário.
O valor exato do DAS MEI em junho de 2026
O DAS de junho de 2026, com vencimento em 20 de julho, soma R$ 75,90 para a maioria dos MEIs do comércio e indústria, e R$ 79,90 para os MEIs prestadores de serviço. Entenda a composição:
- INSS: 5% sobre o salário mínimo vigente em 2026 (R$ 1.518,00), o que resulta em R$ 75,90
- ICMS: R$ 1,00 — para MEIs que atuam com comércio ou indústria
- ISS: R$ 5,00 — para MEIs que prestam serviços
- MEI com atividades mistas (comércio + serviço): R$ 80,90 (INSS + ICMS + ISS)
Esses valores partem do salário mínimo federal de R$ 1.518,00, vigente para 2026. Se o governo federal corrigir o salário mínimo ao longo do ano, o INSS embutido no DAS sobe junto — sem aviso prévio na maioria dos casos. Vale checar no portal do Simples Nacional antes de pagar.
A tese que ninguém fala: o problema não é o valor, é o esquecimento acumulado
R$ 75,90 ou R$ 79,90 por mês não assusta ninguém individualmente. O que assusta é chegar em setembro e descobrir que você tem quatro meses atrasados, com multa de 0,33% ao dia mais 2% fixo sobre cada guia — fora os juros Selic acumulados. Aí o susto bate.
Eu acompanho empreendedores individuais há alguns anos e o padrão é sempre o mesmo: a pessoa fica dois, três meses sem pagar porque “é pouco dinheiro, resolvo depois”. Depois vira uma bola de neve que, além do custo financeiro, trava o CNPJ para emitir nota fiscal e bloqueia o acesso ao crédito do MEI. Um MEI com três meses de DAS em aberto não consegue fazer a DASN (declaração anual) sem quitar tudo antes. E a DASN de 2026 — que cobre o ano de 2025 — já teve prazo até 31 de maio. Se você perdeu, a multa mínima é de R$ 50,00 por declaração não entregue.
Como emitir e pagar o DAS de junho sem erro
Acesse o portal do Simples Nacional (simples.receita.fazenda.gov.br), vá em “SIMEI — Serviços” e clique em “Cálculo e Declaração”. Selecione o período de apuração junho/2026. O sistema gera o DAS com código de barras atualizado. Você paga por qualquer canal: app do banco, Pix (com o código de barras lido), lotérica ou agência bancária.
Três erros frequentes nessa etapa:
- Emitir o DAS pelo Google — existe muito site pirata que gera boleto falso. Use sempre o portal oficial da Receita Federal ou o app “MEI Fácil” integrado ao gov.br.
- Pagar após o vencimento sem atualizar o boleto — o boleto vencido não pode ser pago com o mesmo código de barras na maioria dos bancos. Você precisa emitir um novo DAS com os juros já calculados no sistema.
- Confundir competência com vencimento — junho/2026 é a competência; 20/07/2026 é o vencimento. Se você pagar antes do dia 20 de julho, está em dia.
O que acontece se você não pagar o DAS de junho
A multa por atraso no DAS do MEI é de 2% sobre o valor total logo no primeiro dia de atraso, mais 0,33% por dia corrido. Para um DAS de R$ 79,90, cada semana de atraso adiciona cerca de R$ 1,85 ao débito. Parece pouco — mas o efeito real não é financeiro, é burocrático.
Com DAS em atraso, você:
- Não consegue emitir certidão negativa de débitos (essencial para contratos com empresas maiores e órgãos públicos)
- Fica impedido de parcelar dívidas futuras via Simples Nacional
- Pode ter o CNPJ suspenso após 12 meses consecutivos de inadimplência
- Perde o direito ao salário-maternidade e auxílio por incapacidade temporária — benefícios que dependem de contribuição em dia ao INSS
Esse último ponto é o que mais pega desprevenido. A MEI que está grávida e não pagou seis meses de DAS descobre que não tem direito ao salário-maternidade na hora que mais precisa. Não tem recurso administrativo que resolva rápido.
Um caso concreto: a Mariana, confeiteira de bairro
Mariana abriu o MEI como confeiteira em março de 2024. Nos primeiros meses pagou certinho. Em setembro de 2024, um pedido grande chegou, ela ficou atolada de trabalho e esqueceu o DAS. Em outubro, esqueceu de novo. Em novembro, precisava emitir nota fiscal para uma empresa que ia fazer um evento corporativo — aí descobriu que o CNPJ estava com pendências e a empresa não podia pagar a ela formalmente.
Ela quitou tudo em uma semana — foram três meses atrasados, cerca de R$ 270,00 de principal mais R$ 28,00 em multas e juros. Não foi um valor absurdo. Mas o contrato com a empresa ela perdeu, porque eles precisavam da nota naquela semana. Estimativa dela de perda: R$ 1.200,00 em serviço. Para não pagar R$ 270,00 a tempo, ela perdeu R$ 1.200,00 em faturamento.
A Mariana não é descuidada — é sobrecarregada. O problema não era falta de dinheiro, era falta de sistema. Hoje ela tem um lembrete fixo no calendário do celular para o dia 15 de cada mês: “Emite o DAS”. Funciona.
O que não funciona: 4 abordagens que parecem razoáveis mas travam o MEI
Vou ser direto aqui porque esse tipo de conselho circula muito e prejudica quem acredita.
1. “Vou pagar tudo no fim do ano de uma vez”
Não funciona porque o sistema de parcelamento do Simples Nacional tem regras específicas, e você não pode simplesmente chegar com 12 guias de uma vez esperando desconto. As multas e juros correm mês a mês. Parcelar dívida de DAS no Simei tem limite de parcelas e condições que mudam com resolução do Comitê Gestor — sem garantia de que o programa estará aberto quando você precisar.
2. “O contador cuida disso pra mim”
O MEI não é obrigado a ter contador — e a maioria não tem. Mas, mesmo quem tem, precisa entender que o contador não paga o DAS por você: ele orienta, mas a obrigação de pagamento é do titular. Vi gente perder prazo achando que o contador tinha dado conta de tudo.
3. “Se o valor for pequeno, a Receita não vai atrás”
A Receita Federal tem sistema automatizado. Atraso de um mês gera notificação; atraso continuado gera exclusão do Simei. Não é questão de fiscalização humana — é processo automático. Acreditar que R$ 79,90 passa despercebido é uma aposta que não vale a pena.
4. “Abro outro CNPJ se esse ficar com problema”
Não é assim que funciona. O CPF do titular fica vinculado. Se você tem dívida no MEI atual e tenta abrir outro, o sistema cruza o CPF e bloqueia. Regularizar é sempre o caminho — não tem atalho.
MEI que fatura próximo do limite: atenção redobrada em junho
O teto de faturamento do MEI em 2026 é de R$ 169.200,00 anuais (R$ 14.100,00 por mês, em média). Se você está chegando perto disso, junho é um mês estratégico: você ainda tem tempo de avaliar se vai ultrapassar o limite até dezembro e se planejar para migrar para o Simples Nacional como ME (Microempresa) sem surpresa.
Ultrapassar o limite em até 20% — ou seja, até R$ 203.040,00 no ano — ainda permite permanecer no Simei para o ano seguinte, mas você vai pagar INSS e impostos retroativos sobre o excesso. Acima de 20%, o desenquadramento é retroativo ao mês de janeiro, o que gera uma conta tributária grande de uma vez.
Levantamentos do setor de contabilidade mostram que uma parcela relevante dos MEIs que se tornam inadimplentes está justamente na faixa de faturamento próximo ao teto — porque o empreendimento cresceu, mas o enquadramento fiscal não acompanhou. Se esse é o seu caso, o momento de conversar com um contador é agora, não em dezembro.
Próximos passos: três ações para fazer hoje
Nada de grandes planos. Três coisas pequenas que resolvem 80% do problema:
- Agora: acesse o portal do Simples Nacional, emita o DAS de junho/2026 e salve o boleto no celular. Não precisa pagar agora — só emitir para ter o documento em mãos antes do dia 20 de julho.
- Hoje ainda: crie um lembrete recorrente no calendário do seu celular para o dia 15 de cada mês com o texto “Emite e paga o DAS”. Dia 15 dá tempo de resolver antes do vencimento no dia 20.
- Essa semana: confira se todos os meses de 2026 até agora estão pagos. No portal do Simples Nacional, em “Consulta de Pendências”, você vê em 30 segundos se tem DAS em aberto. Se tiver, emite o DAS atualizado (com multa já calculada) e quita antes que o problema cresça.
O DAS de junho não é o vilão da história. O vilão é a falta de rotina. Com três cliques e um lembrete no celular, você resolve isso uma vez e esquece — do jeito bom.

